A pesquisa Datafolha 2026 voltou a aparecer entre os termos mais buscados no Brasil e ajuda a explicar o interesse pela corrida presidencial deste ano. O levantamento nacional mais recente do instituto, divulgado em 24 de agosto, mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nos cenários de primeiro e segundo turno, mas com uma diferença menor do que a registrada nas rodadas anteriores.

O estudo foi realizado nos dias 18 e 19 de agosto, depois do registro das candidaturas, e ouviu 2.058 eleitores em 128 municípios. Os números retratam as preferências no período da coleta. Eles não equivalem a uma previsão do resultado da eleição e devem ser lidos junto com a margem de erro e com o nível de confiança informados pelo instituto.

Pesquisa Datafolha 2026 mostra Lula à frente no primeiro turno

No cenário sem Pablo Marçal (PRTB), Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão), 4%, e Romeu Zema (Novo), 3%. O escritor Augusto Cury (Avante) soma 2%. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), o veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Edmilson Costa (PCB) têm 1% cada. As candidaturas de Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) não alcançaram 1%.

Brancos e nulos somam 6% nesse cenário, e 4% dos entrevistados ainda não decidiram. Quando o nome de Pablo Marçal é incluído, Lula mantém 39%, Flávio Bolsonaro passa a 32%, e os votos brancos ou nulos chegam a 7%. A diferença entre os dois primeiros, portanto, diminui em um ponto percentual, mas não muda a liderança numérica apresentada pelo levantamento.

A distância entre Lula e Flávio era de dez pontos na pesquisa realizada em meados de junho, caiu para oito pontos na segunda quinzena de julho e chegou a seis pontos no cenário sem Marçal em agosto. A sequência indica uma redução gradual da vantagem observada na série, sem permitir concluir que exista uma tendência definitiva até o dia da votação.

Segundo turno fica dentro do limite da margem de erro

Em uma simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista tem 47% e o candidato do PL, 43%. Brancos e nulos representam 9%, enquanto 2% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Por isso, a vantagem de quatro pontos deve ser descrita como liderança numérica, sem tratar o resultado como confirmação de vitória.

O instituto também mediu a rejeição. Flávio Bolsonaro aparece com 46% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, e Lula tem 45%. Pablo Marçal registra 22%; na sequência aparecem Zema, com 16%, e Caiado e Renan Santos, com 14% cada. Rejeição é um indicador diferente de intenção de voto: ela mostra resistência ao nome, mas não informa sozinha como os eleitores distribuirão seus votos.

Nos demais cenários de segundo turno, Lula tem 47% contra 40% de Caiado, 48% contra 38% de Zema e 47% contra 37% de Renan Santos. Esses resultados também são fotografias do momento da pesquisa. Mudanças na campanha, debates, alianças, decisões da Justiça Eleitoral e fatos econômicos podem alterar o quadro até outubro.

Metodologia e interesse do eleitor pela eleição

A pesquisa ouviu pessoas com 16 anos ou mais de todas as regiões do país, em entrevistas presenciais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-04496/2026. A divulgação do número de registro, do tamanho da amostra, das datas de campo e da margem de erro permite que o leitor avalie a qualidade e os limites do levantamento.

Em outro recorte da mesma pesquisa, publicado pelo Datafolha em 25 de agosto, 74% dos eleitores disseram ter algum interesse por política. Desse total, 23% declararam grande interesse, 38% apontaram interesse médio e 12% disseram ter pouco interesse; 26% afirmaram não ter interesse algum. O índice de grande interesse foi maior entre os entrevistados com mais escolaridade e renda.

O levantamento também perguntou o que ocorreria se o voto não fosse obrigatório. Cinquenta e seis por cento disseram que iriam votar, enquanto 43% responderam que não. A disposição foi maior entre pessoas mais velhas, homens, eleitores com maior escolaridade e famílias com renda acima de cinco salários mínimos. A resposta hipotética não substitui a participação efetiva e pode mudar conforme a campanha se aproxima.

Como interpretar os números da pesquisa eleitoral

Pesquisas eleitorais devem ser comparadas quando usam perguntas, amostras, datas e metodologias semelhantes. Diferenças pequenas podem desaparecer dentro da margem de erro, e a soma dos percentuais pode não fechar exatamente 100% por causa do arredondamento. Também é importante distinguir pesquisa estimulada, na qual os nomes são apresentados, da espontânea, em que o entrevistado responde sem ver uma lista.

O leitor pode acompanhar novas rodadas e consultar informações de serviço na editoria de Política do Folha 24 Horas. Até a publicação de novos levantamentos, o dado mais seguro é que a disputa aparece aberta e que os resultados divulgados não permitem antecipar o vencedor.