A tempestade solar entrou no radar das buscas no Brasil nesta quinta-feira (27), enquanto o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA acompanha a chegada de perturbações capazes de elevar a atividade geomagnética da Terra. O alerta é de baixa a moderada intensidade e exige acompanhamento técnico, mas não indica risco direto para pessoas em solo.

Em boletim emitido na quarta-feira (26), a agência norte-americana informou que uma ejeção de massa coronal, ou CME, deixou o Sol em 25 de agosto e pode contribuir para a atividade dos próximos dias. O fenômeno também ocorre sob a influência de um fluxo rápido de vento solar associado a um buraco coronal. A previsão oficial é atualizada conforme os instrumentos observam a velocidade e a direção dessas estruturas.

O assunto ganhou procura porque os efeitos do clima espacial podem atingir tecnologias usadas no cotidiano. Ainda assim, a existência de um alerta não significa que haverá apagões, interrupção generalizada de internet ou uma aurora visível em qualquer lugar. O nível previsto indica possibilidade e intensidade estimada, não um resultado garantido.

Tempestade solar pode elevar a atividade geomagnética

A NOAA mantém uma observação G1, classificada como menor, para 27 de agosto, e uma observação G2, considerada moderada, para os dias 28 e 29. O boletim de três dias aponta que tempestades geomagnéticas isoladas entre G1 e G2 são prováveis até sábado, por causa da combinação entre o fluxo de alta velocidade vindo de um buraco coronal e a chegada de CMEs.

Na escala da NOAA, o índice Kp máximo previsto para o intervalo chega a 5,67, associado ao nível G2. O número é calculado em períodos de três horas e ajuda os centros de previsão a estimar a resposta do campo magnético terrestre. Ele não funciona como uma medição simples de intensidade sentida pela população, nem permite prever sozinho os efeitos em cada cidade.

Uma CME é uma grande nuvem de plasma e campos magnéticos lançada pelo Sol. Quando uma estrutura desse tipo alcança a vizinhança da Terra com orientação favorável, pode transferir energia para a magnetosfera e produzir uma tempestade geomagnética. O intervalo entre a saída do Sol e a chegada varia conforme a velocidade da ejeção e as condições do espaço interplanetário.

Quais efeitos a tempestade solar pode provocar

Segundo a NASA, uma tempestade geomagnética pode causar perturbações em comunicações de rádio, sistemas de navegação, satélites e redes elétricas. A NOAA também indica que eventos R1, de apagão de rádio menor, podem provocar degradação fraca ou perda ocasional de contato em rádio de alta frequência no lado iluminado da Terra. Os efeitos dependem da intensidade real e da região atingida.

A previsão atual também menciona 55% de probabilidade diária de apagões de rádio nos níveis R1 a R2 entre 27 e 29 de agosto e 15% de chance de atingir R3 ou mais. Essa escala é diferente da escala G: R mede apagões de rádio ligados a explosões solares, enquanto G mede a resposta geomagnética. Misturar as duas classificações pode gerar interpretações exageradas sobre o evento.

A atividade geomagnética pode favorecer auroras em latitudes mais altas, mas isso não significa que o fenômeno será visível no Brasil. A localização, o horário, a intensidade e a transparência do céu são determinantes. Imagens compartilhadas em redes sociais também podem ser antigas ou feitas em outros países, por isso não servem como confirmação de uma aurora local.

O que acompanhar no Brasil

No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mantém o programa EMBRACE, dedicado ao estudo e ao monitoramento brasileiro do clima espacial. O instituto informa que acompanha a evolução das atividades solares e divulga boletins para usuários interessados, incluindo setores que dependem de comunicação, navegação e operação de satélites.

Para o público em geral, não há orientação extraordinária associada a um alerta G1 ou G2. A própria NASA explica que o campo magnético e a atmosfera protegem as pessoas em terra dos efeitos mais perigosos. Os grupos que precisam de monitoramento específico são operadores de satélites, redes elétricas, sistemas de rádio, navegação e atividades aeroespaciais.

A recomendação é consultar os boletins da NOAA e do INPE quando houver interesse em acompanhar a evolução do fenômeno. O leitor também pode consultar a cobertura de Ciência do Folha 24 Horas para diferenciar previsão, alerta e confirmação observacional. Até o momento, a informação disponível descreve uma janela de atividade geomagnética monitorada, sem evidência de ameaça direta à população brasileira.