O ataque à Binance levou a exchange a suspender temporariamente saques de criptomoedas e provocou o desvio de cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A empresa informou neste domingo (1º) que retomou os saques de forma gradual, começando pela rede do bitcoin e ampliando depois o serviço para a rede Ethereum e a BNB Smart Chain.

Segundo a cobertura da CNBC, a Binance afirma ter recomposto a cobertura de aproximadamente 90% dos ativos afetados. Esse número não significa que a empresa tenha recuperado 90% dos valores diretamente com os responsáveis pelo ataque: trata-se da recomposição das reservas necessárias para manter os ativos respaldados. A exchange disse que continuará comprando os tokens restantes no mercado e em operações de balcão.

O caso entrou no radar das buscas brasileiras em uma consulta ao Google Trends Brasil, mas a ferramenta foi usada apenas para identificar interesse público. As informações factuais foram conferidas no alerta do FBI, no comunicado da empresa e na reportagem jornalística, que também registrou a retomada dos serviços.

Ataque à Binance levou à suspensão temporária dos saques

A Binance informou que identificou, em 29 de outubro, transações de retirada não autorizadas relacionadas ao comprometimento do dispositivo de um funcionário. O incidente envolveu carteiras quentes, que são sistemas conectados à internet e usados para movimentar ativos com mais agilidade. A empresa disse que os saldos dos usuários não foram afetados e que cobrirá o impacto financeiro do roubo com recursos próprios e fundos de proteção.

De acordo com a CNBC, a recomposição utiliza o Secure Asset Fund for Users (SAFU), parte do fundo de seguro de contratos futuros e o tesouro corporativo da Binance. A companhia declarou que ativos como bitcoin, ether, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC estavam totalmente respaldados na atualização consultada. O restante envolve tokens menos líquidos, o que pode tornar a reposição mais lenta.

A retomada dos saques ocorre em fases e depende de verificações de segurança. Por isso, a disponibilidade pode variar conforme a rede, o ativo e a região da conta. Usuários devem confirmar o status dentro do aplicativo ou do domínio oficial, sem seguir links recebidos por mensagens privadas ou redes sociais.

O que o FBI informou sobre a origem do roubo

Em alerta publicado em 31 de outubro, o FBI afirmou que a Coreia do Norte foi responsável pelo roubo de mais de US$ 6 bilhões em ativos virtuais da Binance, ocorrido por volta de 29 de outubro. A agência relacionou o caso à atuação de grupos norte-coreanos conhecidos por ataques contra empresas de criptomoedas e por tentativas de movimentar os valores roubados.

A atribuição é uma conclusão oficial do FBI e deve ser distinguida de uma decisão judicial ou de uma investigação independente concluída por todas as autoridades envolvidas. A Binance também segue apurando como o dispositivo comprometido foi utilizado e quais carteiras receberam os ativos. Os detalhes técnicos ainda podem mudar à medida que novas informações sejam confirmadas.

O volume do incidente aumenta a importância de rastrear transações em blockchain e bloquear endereços suspeitos. Mesmo quando uma transferência é registrada publicamente, a recuperação de criptoativos pode ser difícil depois de várias movimentações, conversões ou tentativas de ocultação. A velocidade da resposta das plataformas e das autoridades pode influenciar o resultado.

Cuidados para quem usa exchanges e carteiras digitais

Quem mantém ativos em uma exchange deve conferir o histórico de login, as solicitações de saque e os dispositivos autorizados. A autenticação em dois fatores, de preferência por aplicativo autenticador ou chave de segurança, reduz o risco de acesso indevido. Senhas reutilizadas, códigos de verificação e chaves de API não devem ser compartilhados com supostos atendentes.

Também é importante desconfiar de promessas de reembolso rápido, links para “liberar” saques e pedidos de pagamento para recuperar fundos. Em um incidente de grande repercussão, criminosos podem tentar se passar pela empresa ou por investigadores. O usuário deve acessar o serviço digitando o endereço oficial, verificar comunicados dentro da própria conta e guardar registros das operações.

Na editoria de Tecnologia, o Folha 24 Horas acompanha os desdobramentos do ataque e das medidas de segurança. A retomada dos saques não encerra a investigação: a cobertura dos ativos, a identificação dos responsáveis e a recuperação dos valores continuam sujeitas a novas atualizações. A imagem desta matéria é uma ilustração gerada por IA, sem representar uma tela real da Binance ou uma fotografia do incidente.

Imagem gerada por IA em estilo editorial; a ilustração é conceitual e não representa uma captura de tela, uma pessoa ou o local real do ataque.