O reforço contra poliomielite voltará ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 4 anos a partir de 3 de agosto. A mudança, confirmada pelo Ministério da Saúde e já refletida na página oficial do calendário, completa um esquema de cinco aplicações da vacina inativada contra a poliomielite, a VIP. O tema ganhou procura nesta terça-feira (28), quando “imunização” apareceu entre os assuntos em alta no Google Trends Brasil.
A nova orientação vale para crianças menores de 5 anos. Famílias com doses atrasadas devem procurar uma Unidade Básica de Saúde e apresentar a caderneta, para que a equipe verifique o histórico e indique o que falta. O atendimento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, e a atualização pode ser feita até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Reforço contra poliomielite completa esquema de cinco doses
O calendário passa a prever três doses iniciais da VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade. O primeiro reforço é aplicado aos 15 meses e o segundo, retomado agora, aos 4 anos. Todas as aplicações são injetáveis e usam vírus inativado, incapaz de provocar a doença.
O reforço aos 4 anos havia deixado de integrar o esquema quando o país concluiu a substituição da vacina oral pela injetável. Desde novembro de 2024, a conhecida “gotinha” não é mais usada de rotina contra a poliomielite no calendário nacional. A retomada do segundo reforço busca elevar a duração da proteção durante a infância.
A inclusão não significa que toda criança de 4 anos receberá automaticamente uma dose sem avaliação. O profissional da unidade precisa conferir a idade e as aplicações já registradas. Quem perdeu uma etapa anterior pode ter uma orientação específica para completar o esquema com segurança, respeitando os intervalos recomendados.
Por que a vacinação segue necessária sem casos recentes no Brasil
O último caso de poliomielite registrado no Brasil ocorreu em 1989. Em 1994, a Região das Américas recebeu a certificação de área livre da circulação do poliovírus selvagem. Esse resultado, no entanto, depende da manutenção de coberturas altas e de vigilância capaz de identificar rapidamente qualquer suspeita.
A Organização Mundial da Saúde informa que o vírus selvagem ainda mantém transmissão endêmica no Afeganistão e no Paquistão. Enquanto houver circulação em alguma parte do mundo, deslocamentos internacionais podem levar o agente a locais onde muitas pessoas estejam sem vacinação. Uma população protegida reduz a chance de o vírus encontrar crianças suscetíveis e voltar a se espalhar.
A poliomielite é uma infecção altamente transmissível, disseminada principalmente pela via fecal-oral, inclusive por água ou alimentos contaminados. Muitas infecções não provocam paralisia, mas a OMS estima que cerca de uma em cada 200 pode causar paralisia irreversível. Entre os pacientes paralisados, de 5% a 10% podem morrer quando os músculos envolvidos na respiração são atingidos.
Como atualizar a caderneta a partir de 3 de agosto
Pais e responsáveis devem levar a criança e a caderneta de vacinação a uma unidade do SUS. A equipe comparará o registro com as doses previstas para a idade. Se a caderneta foi perdida, a orientação é procurar a unidade onde as vacinas costumavam ser aplicadas ou apresentar os registros disponíveis, sem inventar datas ou repetir doses por conta própria.
Antes de sair de casa, vale consultar o horário da sala de vacinação do município. Algumas unidades trabalham em períodos específicos ou precisam organizar a aplicação conforme o estoque recebido. A recomendação nacional começa em 3 de agosto, mas a logística local pode ser divulgada pelas secretarias estaduais e municipais.
Reações como dor e sensibilidade no local da aplicação podem ocorrer. Dúvidas sobre contraindicações, tratamentos em andamento ou eventos após a vacina devem ser discutidas com a equipe de saúde. Informações de redes sociais não substituem a avaliação do histórico da criança nem a orientação profissional.
A editoria de Saúde do Folha 24 Horas acompanha atualizações de vacinação e serviços do SUS. Para as famílias, a providência prática é simples: conferir a idade, separar a caderneta e procurar a unidade a partir da data indicada para verificar se o reforço está pendente.
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