O envelhecimento saudável está no centro de novas estratégias do Sistema Único de Saúde (SUS) para acompanhar a população com 60 anos ou mais. Em material publicado no início de outubro, o Ministério da Saúde informou que o Brasil tem cerca de 36 milhões de pessoas idosas e que aproximadamente 80% delas utilizam exclusivamente os serviços públicos de saúde. A busca por informação sobre o tema também ganhou força nesta semana, mas o desafio é permanente: garantir autonomia, prevenção e cuidado contínuo.
Os números ajudam a dimensionar a demanda. Segundo o Ministério, foram registradas 509,3 milhões de produções voltadas à população idosa em 2025, entre procedimentos, visitas domiciliares, atendimentos individuais e consultas odontológicas. No primeiro semestre de 2026, foram 267,3 milhões de produções. Os dados não significam número de pessoas atendidas, porque uma mesma pessoa pode aparecer em mais de um registro.
Envelhecimento saudável depende de avaliação integral
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) tem como finalidade preservar, promover e recuperar a autonomia e a independência funcional. Isso significa que o cuidado não deve se limitar à identificação de doenças. A equipe também precisa considerar mobilidade, memória, capacidade de realizar tarefas, condições sociais, apoio familiar e o ambiente em que a pessoa vive.
Uma das ferramentas adotadas pelo Ministério da Saúde é o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), incorporado ao Prontuário Eletrônico e-SUS Atenção Primária em 2025. A avaliação multidimensional ajuda a identificar necessidades e a organizar o acompanhamento conforme o perfil de cada usuário. O ministério informa que o instrumento já foi aplicado mais de quatro milhões de vezes.
A avaliação pode ser realizada anualmente a partir dos 60 anos e repetida quando houver mudança relevante na condição de saúde ou na vida da pessoa. Ela não substitui a consulta com profissionais nem produz, sozinha, um diagnóstico. Seu papel é apoiar a equipe da atenção primária na definição de prioridades e no encaminhamento adequado dentro da rede.
Atenção domiciliar amplia o cuidado para quem não consegue sair de casa
O SUS também vem reforçando estratégias de atenção domiciliar. O Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, chamado Padi Brasil, é voltado a pessoas com maior necessidade de cuidados, especialmente aquelas restritas ao leito ou ao domicílio. A iniciativa é desenvolvida por equipes multiprofissionais em articulação com as equipes de Saúde da Família e com outros profissionais da atenção primária.
O atendimento em casa não elimina a necessidade de acompanhamento na rede. A indicação depende da avaliação da equipe local e da situação de cada pessoa. O programa pode envolver familiares e cuidadores, que precisam receber orientação para evitar interrupções no tratamento, identificar sinais de alerta e organizar a rotina de forma segura. O Programa Melhor em Casa continua sendo outra estratégia do SUS para pessoas de diferentes idades que necessitam de cuidados domiciliares.
Vacinação, medicamentos e direitos fazem parte da prevenção
Entre as medidas recentes, o Ministério da Saúde passou a oferecer a vacina pneumocócica 20-valente nas Unidades Básicas de Saúde para pessoas com 85 anos ou mais, sem exigência de pré-requisitos clínicos. A indicação e o calendário devem ser confirmados na unidade de referência, porque campanhas e orientações podem ser atualizadas pelos canais oficiais.
A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa reúne informações sobre direitos, saúde, histórico de atendimentos e outros registros úteis. O material está disponível gratuitamente no aplicativo Meu SUS Digital. Já o Farmácia Popular oferece gratuitamente 41 itens, incluindo medicamentos e insumos para condições como hipertensão, diabetes, osteoporose, Parkinson e glaucoma, além de fraldas geriátricas. De janeiro a agosto de 2026, 17,3 milhões de pessoas com mais de 60 anos tiveram acesso aos itens do programa, segundo o ministério.
O Estatuto da Pessoa Idosa garante atenção integral à saúde por meio do SUS, com acesso universal e igualitário a ações de prevenção, promoção, proteção e recuperação. Na prática, a porta de entrada costuma ser a Unidade Básica de Saúde do território. A pessoa idosa, um familiar ou cuidador pode procurar a equipe para atualizar a caderneta, perguntar sobre vacinação, verificar a necessidade de avaliação funcional e conhecer os serviços disponíveis.
O envelhecimento ocorre de formas diferentes e não deve ser tratado apenas como perda de capacidade. Informação confiável, acompanhamento regular e respeito às escolhas ajudam a preservar a independência. O leitor pode consultar orientações oficiais do Ministério da Saúde e acompanhar outras informações de serviço na editoria de Saúde do Folha 24 Horas.
Saúde
Saúde
Saúde
Saúde