A vacina mpox voltou ao centro das buscas no Brasil depois que a cidade do Rio de Janeiro registrou alta de diagnósticos em setembro e outubro. A elevação reacendeu dúvidas sobre quem pode ser imunizado, como reconhecer a doença e quais cuidados devem ser adotados enquanto as autoridades acompanham a transmissão.

Segundo reportagem do G1 publicada em 30 de outubro, a capital confirmou 74 casos nos dois meses, sendo 45 em setembro e 29 em outubro até o fechamento do levantamento. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados dez casos. A matéria também informou que o estado chegou a 211 confirmações em 2026 e que dez pessoas estavam internadas na Fiocruz. Os números foram atribuídos ao Observatório Epidemiológico do município.

Vacina mpox é indicada para grupos específicos

O Ministério da Saúde não recomenda uma vacinação indiscriminada da população. A orientação oficial prevê a oferta para grupos com maior risco de evolução grave ou de exposição ao vírus, conforme a disponibilidade de doses e a avaliação da vigilância em saúde.

Na estratégia de pré-exposição, podem ser contemplados profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvirus e pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam imunossupressão. Na vacinação pós-exposição, a indicação pode alcançar pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com um caso suspeito ou confirmado, depois de avaliação da equipe responsável.

Isso significa que a busca pela vacina deve começar por um serviço de saúde ou pela vigilância municipal, e não pela tentativa de obter o imunizante por conta própria. A disponibilidade local pode mudar e a indicação depende do histórico de contato e das condições clínicas de cada pessoa.

O que explica a alta de casos no Rio

O aumento registrado na capital é um sinal de atenção para a vigilância, mas não autoriza concluir, sozinho, que exista uma situação idêntica em todo o país. O painel do EpiRio reúne os dados atualizados do município e deve ser lido junto das informações estaduais e federais, que podem ter datas de consolidação diferentes.

A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões, secreções corporais ou objetos contaminados. O Ministério da Saúde também descreve a possibilidade de contato próximo e prolongado com secreções respiratórias. A pessoa pode transmitir a doença desde o início dos sintomas até que as lesões cicatrizem e uma nova camada de pele se forme.

A Organização Mundial da Saúde afirma que existem vacinas contra a mpox, mas ressalta que a imunização deve ser combinada com outras medidas de saúde pública. A recomendação reforça a importância de interromper cadeias de transmissão, identificar contatos e procurar avaliação profissional diante de sinais compatíveis.

Sintomas e quando procurar atendimento

Os sinais mais comuns incluem erupções ou lesões na pele, ínguas, febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e fraqueza. O período de incubação costuma variar de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos genitais ou no ânus.

Quem apresentar lesões associadas a febre ou ínguas, ou tiver tido contato próximo com um caso suspeito ou confirmado, deve procurar uma unidade de saúde. Até receber orientação, é prudente evitar contato físico próximo, não compartilhar roupas, toalhas ou utensílios e higienizar as mãos e as superfícies utilizadas.

O diagnóstico é feito por exame laboratorial, preferencialmente a partir da secreção das lesões. O Ministério da Saúde informa que não há medicamento específico aprovado para a mpox; o tratamento é baseado em cuidados de suporte, alívio dos sintomas e prevenção de complicações. A maioria dos casos evolui para melhora em duas a quatro semanas, mas pessoas com maior risco precisam de avaliação individualizada.

Como acompanhar a situação

O leitor pode consultar o painel do EpiRio e as orientações do Ministério da Saúde antes de compartilhar números ou buscar atendimento. A editoria de Saúde da Folha 24 Horas também acompanha alertas de vacinação e mudanças nas recomendações oficiais. Em caso de dúvida sobre elegibilidade, o caminho mais seguro é procurar a rede pública ou a vigilância do município.