O vulcão Anak Krakatau voltou a afetar o transporte aéreo da Indonésia nesta terça-feira (8), depois que cinzas lançadas pela atividade eruptiva provocaram o fechamento temporário de aeroportos. O principal terminal de Jacarta e outras quatro unidades reabriram após a limpeza de pistas e instalações e a realização de testes que não identificaram cinzas, mas as autoridades alertaram que a malha ainda levará tempo para voltar ao ritmo normal.

O assunto apareceu entre os termos em alta no Google Trends Brasil durante a manhã, em razão da repercussão internacional dos cancelamentos e da retomada gradual. A tendência de busca indica interesse do público, mas não substitui a apuração: as informações sobre a erupção, as restrições e a reabertura foram conferidas em comunicados meteorológicos e em relatos jornalísticos publicados a partir de dados das autoridades indonésias.

Vulcão Anak Krakatau provoca restrições em aeroportos

O Anak Krakatau fica no estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra. A atividade registrada desde a noite de sexta-feira (4) espalhou cinzas pela atmosfera e levou autoridades a suspender temporariamente as operações em oito aeroportos. O aviso da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia, conhecida pela sigla BMKG, apontou impacto sobre áreas de circulação aérea e recomendou acompanhar as atualizações oficiais.

Em comunicado de 7 de setembro, a BMKG informou que a cinza era observada em altitude de até 15 mil pés, ou aproximadamente 4,57 quilômetros, com deslocamento predominante para oeste. A análise indicava alcance sobre áreas de Banten, no oeste de Java, além de trechos de Java Ocidental, Lampung e Bengkulu, com extensão também sobre águas próximas e o Oceano Índico.

A presença de material vulcânico no entorno de aeroportos é tratada como risco operacional porque partículas de cinza podem atingir turbinas, sistemas de navegação e outras partes de uma aeronave. Por isso, a interdição temporária funciona como medida preventiva. A BMKG afirmou que a AirNav Indonesia publicou um aviso aeronáutico determinando a suspensão das operações nos oito terminais até a revisão das condições.

Reabertura é gradual e não elimina atrasos

Segundo a atualização publicada pela Al Jazeera nesta terça-feira, o aeroporto internacional Soekarno-Hatta, que atende Jacarta, e outros quatro terminais voltaram a operar depois que equipes removeram cinzas de estruturas críticas e concluíram inspeções. A BMKG também informou que testes de campo realizados em aeroportos tiveram resultado negativo para a presença de cinza vulcânica. A reabertura, porém, não significa que todos os voos tenham sido normalizados.

O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, pediu paciência aos passageiros enquanto as companhias e os operadores verificam aeronaves, pistas e horários. Em situações assim, uma empresa pode manter cancelamentos ou atrasos mesmo depois de um aeroporto reabrir, porque precisa reorganizar tripulações, aeronaves e conexões que foram afetadas durante a suspensão.

Os números também mudaram conforme o período analisado. A Agência Brasil registrou em 6 de setembro mais de 1.500 voos afetados nos oito aeroportos e cerca de 170 mil passageiros envolvidos. Dois dias depois, a Al Jazeera citou uma estimativa de aproximadamente 2.900 voos e mais de 340 mil viajantes impactados. As cifras correspondem a fotografias diferentes da crise e não devem ser somadas.

Ainda de acordo com a Al Jazeera, a Agência de Geologia registrou pelo menos três erupções na manhã de terça-feira e manteve o monitoramento. O dado não representa uma previsão de encerramento da atividade.

O que passageiros devem fazer

Quem tem viagem marcada para a Indonésia deve conferir o status diretamente com a companhia aérea e com o aeroporto de origem ou conexão antes de sair de casa. A reabertura de um terminal pode coexistir com alterações de malha, remarcações e limitações em outros aeroportos. Mensagens encaminhadas em redes sociais não substituem o aviso da empresa responsável pelo bilhete.

Também é importante guardar comprovantes de reserva e acompanhar as regras de remarcação ou reembolso oferecidas pela companhia. Passageiros em conexão precisam verificar o itinerário completo, já que uma perna do voo pode ser liberada enquanto outra permanece suspensa. Brasileiros no exterior podem buscar orientações consulares pelos canais oficiais do governo brasileiro, sem compartilhar dados pessoais em páginas não verificadas.

Cinzas, mar e acompanhamento oficial

Na nota de 7 de setembro, a BMKG disse que seus equipamentos não haviam identificado anomalia no nível do mar que indicasse tsunami na área monitorada do estreito de Sunda. O órgão, contudo, manteve a observação meteorológica, geofísica e marítima. A informação deve ser lida como um retrato das medições divulgadas naquele momento, não como autorização para ignorar novos alertas.

A orientação para moradores de áreas alcançadas pela cinza foi limitar atividades ao ar livre e usar máscara e óculos de proteção quando a saída fosse necessária. Pessoas com problemas respiratórios, crianças e idosos merecem atenção especial. O caderno de Mundo do Folha 24 Horas seguirá reunindo atualizações internacionais com base em comunicados das autoridades e em fontes jornalísticas identificadas.

A retomada dos voos dependerá da evolução da erupção, da direção dos ventos e de novas inspeções. Até que as companhias confirmem cada trecho, a recomendação mais segura é tratar a viagem como sujeita a alteração e consultar os canais oficiais imediatamente antes do deslocamento.