A inundação no Nepal levou equipes de resgate a retomar as operações nesta sexta-feira (28), depois de uma pausa provocada pelo risco de transbordamento de um lago formado por deslizamento na região da fronteira com o Tibete. A atualização mais recente citada pela polícia nepalesa e publicada pelo The Guardian apontava 469 mortos e cerca de 1,5 mil pessoas desaparecidas, mas o balanço continua sujeito a mudanças enquanto as buscas avançam.
O desastre começou na manhã de quarta-feira (26), quando uma grande onda de água, lama e rochas atingiu áreas próximas aos rios Bhote Koshi, Lhende Khola e Trishuli. Casas, estradas, pontes e instalações de energia foram danificadas ou levadas pela correnteza. Como as comunicações permanecem prejudicadas em partes da região, números divulgados em momentos diferentes não devem ser somados nem tratados como definitivos.
O Ministério do Interior do Nepal confirmou que a inundação ocorreu por volta das 8h40, no horário local, no rio Bhote Koshi, no distrito de Rasuwa. O aviso oficial também citou impactos em Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Gorkha e informou que o governo iniciou buscas, salvamentos e ações emergenciais, ao mesmo tempo em que ainda avaliava a extensão total dos danos humanos e materiais.
Inundação no Nepal e risco de nova cheia
A retomada das operações ocorreu sob monitoramento de uma barreira natural que represou água a montante. Quando um deslizamento bloqueia temporariamente um rio, o nível pode subir até romper o obstáculo ou transbordar por outro ponto. Esse processo aumenta o risco para comunidades ribeirinhas e para as próprias equipes, que precisam alternar áreas de busca, rotas de retirada e pontos de apoio conforme os dados de campo.
O alerta não significa que uma nova onda de grande proporção necessariamente ocorrerá. Ele indica, porém, que a área segue instável e que a população deve obedecer às orientações das autoridades locais. A Agência Brasil, ao reproduzir informações da Reuters no início do desastre, também registrou que havia preocupação com uma segunda inundação e que helicópteros enfrentavam dificuldades para pousar em trechos atingidos.
O acesso é outro obstáculo. Estradas destruídas, pontes interrompidas e falhas de energia atrasam a chegada de equipes, equipamentos e alimentos. Em locais montanhosos, a chuva e a visibilidade podem impedir voos e dificultar o reconhecimento por terra. Por isso, uma operação de emergência pode ser anunciada como retomada e novamente suspensa sem que isso represente abandono das vítimas.
O que se sabe sobre a origem do desastre
A causa exata ainda não foi estabelecida. O Kathmandu Post informou que autoridades nepalesas investigam a possibilidade de um terremoto de magnitude 4,4 registrado no Tibete ter contribuído para um deslizamento de gelo e rochas. A publicação destacou, contudo, que essa relação ainda precisava ser verificada e que nem os governos do Nepal e da China tinham uma explicação conclusiva para o rompimento da barreira.
Essa distinção é importante porque uma enchente repentina pode ter mais de um fator associado. Um tremor pode desestabilizar uma encosta, mas a quantidade de gelo, a saturação do solo, o formato do vale e a dinâmica do rio também influenciam o resultado. A confirmação depende de imagens de satélite, medições geológicas, relatos locais e inspeção das áreas que continuam perigosas.
O UN News relatou que a emergência afetava cerca de 10 mil famílias que precisavam de ajuda imediata. A agência também descreveu danos a mercados, estradas, pontes e infraestrutura hidrelétrica, além de interrupções no fornecimento de eletricidade. A dimensão humanitária, portanto, vai além da contagem de mortos: inclui pessoas desalojadas, desaparecidos, acesso a água, atendimento médico e reconstrução.
Resposta humanitária e próximos passos
Agências das Nações Unidas e organizações parceiras começaram a apoiar a resposta liderada pelo governo nepalês. O Programa Mundial de Alimentos informou o envio de rações e suporte logístico; a Organização Mundial da Saúde colocou kits médicos à disposição; e o Unicef preparou equipes e suprimentos para as áreas mais afetadas. A Cruz Vermelha nepalesa também separou pacotes de abrigo emergencial.
Para moradores de fora da área atingida, o principal cuidado é não compartilhar listas de vítimas, vídeos ou números sem origem identificada. Informações sobre pessoas desaparecidas devem ser conferidas com a polícia, autoridades consulares ou canais oficiais de emergência. A circulação de imagens antigas e de relatos sem data pode atrapalhar familiares e equipes que tentam confirmar identidades.
O governo do Nepal pediu apoio ao fundo nacional de auxílio a desastres e afirmou que a retirada de sobreviventes para locais seguros e a reabilitação de longo prazo são prioridades. A editoria de Mundo do Folha 24 Horas continuará acompanhando os boletins oficiais. Até que a avaliação seja concluída, a informação mais segura é considerar o balanço provisório e manter a atenção a novos alertas de água, lama e deslizamentos.
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