O aplicativo do euro digital entrou no radar de buscas no Brasil neste domingo (2), quando “banco central europeu” apareceu entre os assuntos em alta no Google Trends. O Banco Central Europeu (BCE) informou que a ferramenta em desenvolvimento será submetida a testes de usabilidade e acessibilidade durante um piloto previsto para começar no segundo semestre de 2027. A experiência deverá durar 12 meses.
O anúncio não significa que a moeda digital europeia já tenha sido lançada, nem que pessoas no Brasil possam abrir uma conta no serviço. O projeto segue em preparação técnica e depende de legislação europeia antes de uma decisão definitiva sobre emissão. O piloto servirá para testar funcionalidades, integração com instituições financeiras e experiência dos participantes em um ambiente controlado.
Aplicativo do euro digital terá recursos de acessibilidade
Em comunicado de 30 de julho, o BCE afirmou que o desenho do aplicativo pretende ir além dos requisitos da Lei Europeia da Acessibilidade. O trabalho considera barreiras encontradas por pessoas com deficiência visual, limitações cognitivas, dificuldades motoras e outras necessidades. A proposta inclui uma interface simples, recursos de navegação assistida e alternativas para diferentes formas de interação.
A autoridade monetária diz trabalhar com especialistas e organizações da sociedade civil para identificar obstáculos antes da fase operacional. Entre as colaborações anunciadas está a Fundação ONCE, instituição espanhola com experiência em inclusão. Os protótipos serão avaliados por usuários durante o piloto, e o resultado deverá orientar ajustes no aplicativo e nos serviços associados.
A acessibilidade também envolve pessoas idosas, usuários com pouca familiaridade digital e cidadãos sem conta bancária. Segundo o BCE, a intenção é oferecer uma solução pública de pagamento que possa ser usada por grupos diversos. Isso não elimina o papel de bancos e empresas de pagamento: essas instituições deverão distribuir o serviço e atender os usuários dentro das regras do sistema.
Piloto de 2027 terá provedores e transações controladas
O BCE selecionou 36 provedores de serviços de pagamento para participar da preparação do piloto. O grupo inclui bancos e instituições de diferentes países da área do euro. A fase de desenvolvimento começou no terceiro trimestre de 2026, com integração técnica, certificação de sistemas, testes internos e preparação para receber participantes.
Quando a etapa operacional começar, na segunda metade de 2027, os provedores deverão oferecer funções experimentais em cooperação com o BCE e bancos centrais nacionais. O plano contempla pagamentos entre pessoas, compras em estabelecimentos, comércio eletrônico e testes de operação sem conexão, conforme o escopo definido para cada participante. Os locais e públicos exatos ainda serão confirmados.
O piloto usará uma versão beta do aplicativo e ocorrerá em um ambiente supervisionado. Isso permite verificar segurança, estabilidade e facilidade de uso sem confundir a experiência com uma implantação comercial ampla. O BCE também poderá comparar a solução própria com a integração do euro digital em aplicativos já oferecidos pelos bancos participantes.
Euro digital não substituiria dinheiro nem seria criptoativo
Se for autorizado, o euro digital seria uma forma eletrônica de moeda de banco central, com valor equivalente ao euro em espécie. Ele não teria a oscilação típica de criptoativos e seria uma obrigação do Eurosistema, assim como cédulas e moedas. A proposta é complementar o dinheiro físico, não extingui-lo.
Para consumidores, a principal diferença em relação a uma conta bancária seria a natureza pública do ativo. Ainda assim, bancos e outros intermediários continuariam responsáveis por cadastro, atendimento e integração dos pagamentos. Questões como limites de saldo, privacidade, prevenção a fraudes e modelo de remuneração dependem do desenho final e das normas em discussão.
O cronograma atual aponta o piloto como uma etapa de aprendizado. Somente depois da aprovação legislativa e da avaliação dos testes o Conselho do BCE poderá decidir sobre uma eventual emissão. Projeções anteriores mencionaram 2029 como horizonte possível para prontidão, mas isso não constitui data de lançamento garantida.
A editoria de Economia do Folha 24 Horas acompanha mudanças em meios de pagamento e políticas monetárias. Até o piloto, usuários devem desconfiar de páginas que prometam cadastro antecipado, investimento ou compra de “euro digital”: o BCE não abriu um produto comercial ao público.
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