O Desenrola Adimplentes começou a operar nesta terça-feira (11) como uma linha de crédito voltada a trabalhadores informais que mantêm seus compromissos financeiros em dia ou com atraso limitado. A modalidade permite substituir uma dívida de crédito pessoal não consignado por uma operação com juros de até 1,99% ao mês.
O saldo devedor pode ser de até R$ 15 mil por instituição financeira. No início, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal oferecem a contratação, inclusive para dívidas originalmente feitas em outros bancos, sempre sujeita a análise de crédito e à comprovação de que o interessado cumpre os critérios do programa.
Desenrola Adimplentes atende trabalhador informal
A modalidade é destinada a pessoas que trabalham sem carteira assinada. Servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS não entram neste recorte, conforme as regras divulgadas pela Agência Brasil e detalhadas pelos canais do governo.
Para se enquadrar, o interessado precisa ter uma dívida de crédito pessoal não consignado ainda aberta e ter pago pelo menos quatro parcelas. A obrigação deve estar em dia ou com atraso de no máximo 90 dias tanto na data de referência da medida provisória, 29 de junho, quanto no momento da nova contratação.
O novo crédito quita integralmente a dívida anterior. A taxa máxima é de 1,99% ao mês, mas a condição efetiva pode depender da análise feita pela instituição. A nova parcela não pode superar 90% do valor da prestação original, uma regra destinada a reduzir o comprometimento mensal.
O prazo de pagamento acompanha o tempo que restava no contrato anterior e pode ganhar uma extensão. O acréscimo varia de um mês, para dívidas com até seis meses restantes, a seis meses, quando ainda faltavam mais de 24 meses.
Crédito adicional exige atenção ao custo total
As regras permitem a liberação de um valor adicional de até 50% do saldo devedor anterior, desde que a nova parcela permaneça dentro do limite de 90% da prestação antiga. Esse dinheiro extra não é desconto: ele aumenta o valor financiado e precisa ser devolvido com juros.
Antes de aceitar, o trabalhador deve comparar o Custo Efetivo Total, conhecido como CET, e não apenas a taxa anunciada. O CET reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos obrigatórios. Também é necessário verificar o número de parcelas e o total que será pago até o fim.
A operação conta com garantia do Fundo Garantidor de Operações. Para viabilizar a linha, 70% dos recursos vêm da União e 30% são capital das instituições participantes, segundo regra aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. Essa composição busca atrair bancos sem eliminar a análise individual.
A existência da garantia pública não significa aprovação automática nem perdão da dívida. Se a pessoa deixar de pagar, continuará sujeita às consequências previstas no contrato e na legislação. O objetivo da linha é trocar uma obrigação mais cara por outra potencialmente mais barata.
Como pedir a análise no Banco do Brasil ou na Caixa
Trabalhadores informais devem procurar os canais oficiais do Banco do Brasil ou da Caixa. No Banco do Brasil, o serviço é divulgado no endereço institucional do Desenrola e pelo WhatsApp verificado (61) 4004-0001. Na Caixa, as informações ficam no site oficial e no WhatsApp 0800 104 0104.
Não é preciso pagar intermediário para solicitar a análise. Mensagens que cobram taxa antecipada para liberar o crédito, pedem senha bancária ou orientam a instalação de aplicativo fora das lojas oficiais devem ser tratadas como tentativa de golpe.
Ao receber uma proposta, o consumidor deve conferir se a dívida antiga será efetivamente quitada, qual será o saldo do novo contrato e em que data vencerá a primeira parcela. É recomendável guardar simulações, comprovantes e o contrato completo.
Como condição do programa, o beneficiário aceita o bloqueio do CPF em plataformas de apostas on-line por seis meses. A medida busca impedir que o crédito com condições favorecidas seja direcionado a apostas. O interessado deve conhecer essa restrição antes de concluir a operação.
A editoria de Economia do Folha 24 Horas recomenda comparar a proposta com alternativas já disponíveis no banco e verificar se a nova parcela cabe no orçamento mesmo em meses de renda menor. Para trabalhadores informais, cuja receita pode variar, uma prestação reduzida ainda precisa ser planejada com margem de segurança.
O Desenrola Adimplentes pode reduzir juros de uma dívida elegível, mas contratar crédito adicional sem necessidade pode criar novo aperto financeiro. A decisão deve considerar o custo total, a estabilidade da renda e a capacidade de manter todas as parcelas em dia.
Economia
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