A bandeira tarifária amarela continuará em vigor nas contas de luz de agosto de 2026, segundo informação divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O adicional permanece em R$ 1,885 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos pelos clientes atendidos pelo Sistema Interligado Nacional.

É o quarto mês consecutivo com a sinalização amarela. A decisão indica que o custo de geração está acima do cenário representado pela bandeira verde, mas ainda abaixo dos patamares vermelhos. O valor efetivamente percebido pelo consumidor varia conforme o consumo e a composição tributária da fatura.

Bandeira tarifária amarela acrescenta R$ 1,885 por 100 kWh

O cálculo básico é proporcional ao volume de energia utilizado. Uma unidade que consumir 100 kWh no mês terá R$ 1,885 de adicional tarifário antes da incidência dos tributos aplicáveis. Em 200 kWh, a parcela calculada pela bandeira chega a R$ 3,77; em 300 kWh, a R$ 5,655.

Esses exemplos não representam o valor total da conta. A fatura também reúne a tarifa normal de energia, encargos, custos de distribuição, impostos, iluminação pública quando prevista pelo município e outros itens. Por isso, duas residências com consumo semelhante podem receber totais diferentes dependendo da distribuidora e da localidade.

A bandeira não é uma multa nem uma nova faixa de consumo. Ela funciona como um sinal mensal do custo de produção de eletricidade no país. Quanto maior o consumo durante a vigência de uma cor com adicional, maior será a parcela correspondente na fatura.

Período seco reduz a geração hidrelétrica

De acordo com a explicação atribuída à Aneel pela Agência Brasil, a manutenção da bandeira amarela reflete condições menos favoráveis de geração durante o período seco. A redução das chuvas tende a diminuir a disponibilidade de água nos reservatórios das hidrelétricas e exige uma composição diferente das fontes usadas para atender à demanda.

Nesse cenário, o sistema pode precisar acionar mais usinas termelétricas. Elas são importantes para a segurança do fornecimento, mas geralmente produzem energia a custo superior ao das hidrelétricas. A bandeira ajuda a repassar parte dessa variação de forma visível ao consumidor no próprio mês em que ela ocorre.

As condições são reavaliadas mensalmente. O Operador Nacional do Sistema Elétrico acompanha a operação e projeta a estratégia necessária para atender ao consumo, enquanto a Aneel anuncia a cor que será aplicada. A permanência da bandeira amarela em agosto não define, portanto, qual será a sinalização de setembro.

O que significam as outras cores

Na bandeira verde, as condições de geração são consideradas favoráveis e não há cobrança adicional. A amarela indica aumento moderado de custos. Já a vermelha é dividida em dois patamares para situações progressivamente mais caras.

Os valores informados pela Aneel e reproduzidos pela Agência Brasil são de R$ 4,46 a cada 100 kWh no patamar 1 da bandeira vermelha e de R$ 7,87 a cada 100 kWh no patamar 2. Essas referências ajudam a entender por que a cor mensal é relevante para o planejamento do orçamento doméstico.

O sistema de bandeiras foi criado em 2015 para tornar o custo variável da geração mais transparente. Antes dele, diferenças dessa natureza eram incorporadas posteriormente aos processos tarifários, com menos visibilidade imediata para quem paga a conta.

Como reduzir o impacto sem comprometer a segurança

O consumidor pode começar comparando o consumo em kWh com o mesmo período do ano anterior, informação geralmente disponível na própria fatura. Alterações grandes merecem uma verificação de hábitos, equipamentos com defeito, vedação de geladeiras e uso prolongado de aparelhos de aquecimento ou refrigeração.

Medidas simples incluem desligar lâmpadas em ambientes vazios, aproveitar iluminação natural, evitar abrir a geladeira repetidamente e utilizar máquinas de lavar com carga adequada. Não é recomendável improvisar instalações elétricas ou fazer intervenções no medidor; qualquer suspeita deve ser tratada com a distribuidora ou profissional habilitado.

Também é prudente desconfiar de mensagens que prometem retirar a bandeira da conta mediante pagamento ou acesso a links desconhecidos. A cor é definida nacionalmente para os consumidores do sistema interligado e aparece na fatura oficial. A editoria de Economia do Folha 24 Horas acompanha tarifas e serviços que afetam o orçamento familiar.