O trabalho em plataformas digitais será tema de uma nova divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4). O órgão informou que apresentará, às 10h, a pesquisa “Trabalho por meio de plataformas digitais 2025”, produzida no âmbito da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

O levantamento será divulgado como Estatística Experimental. Essa classificação indica que o IBGE está apresentando uma produção estatística em desenvolvimento, com metodologia e resultados que podem receber aperfeiçoamentos em edições futuras. Até a publicação oficial, não é possível antecipar números ou conclusões sobre o mercado de trabalho.

Trabalho em plataformas digitais entra no radar do IBGE

A pesquisa interessa a trabalhadores, empresas, pesquisadores e gestores porque os aplicativos passaram a intermediar uma variedade de atividades remuneradas. O recorte já utilizado pelo IBGE inclui serviços como transporte de passageiros, entrega de comida e produtos e trabalhos gerais ou profissionais contratados por meio de plataformas.

O objetivo de uma estatística específica é separar esse tipo de ocupação de outras formas de trabalho por conta própria ou de emprego tradicional. Com isso, torna-se possível observar como a mediação digital se relaciona com jornada, rendimento, autonomia e organização da atividade, sempre de acordo com as variáveis efetivamente divulgadas pelo instituto.

Na apuração anterior, referente ao terceiro trimestre de 2024, o IBGE estimou 1,7 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços. O número correspondia a 1,9% da população ocupada no setor privado, e a quantidade havia crescido 25,4% em relação a 2022. Esses dados são contexto histórico e não substituem os resultados da nova edição.

O que a nova divulgação pode esclarecer

O comunicado do IBGE confirma a data, o horário e o caráter experimental da pesquisa, mas não antecipa a tabela completa de resultados. A divulgação poderá atualizar o retrato dos trabalhadores plataformizados e mostrar diferenças entre modalidades de serviço, perfis de ocupação e condições de trabalho, caso esses recortes façam parte da apresentação final.

Uma informação oficial também ajuda a evitar comparações apressadas. A definição de trabalhador de plataforma depende do questionário, do período de referência e da forma como a pessoa declara sua atividade principal ou complementar. Por isso, um aumento ou uma redução nos números não deve ser interpretado sem a leitura das notas metodológicas.

O tema ganhou relevância pública porque a contratação por aplicativo afeta mobilidade, consumo, prestação de serviços e renda. Ao mesmo tempo, diferentes trabalhadores podem combinar plataformas, empregos convencionais e atividades autônomas. Dados comparáveis ajudam a dimensionar o fenômeno sem confundir o uso eventual de um aplicativo com a dependência econômica de uma plataforma.

Estatística Experimental exige leitura cuidadosa

O rótulo adotado pelo IBGE não reduz a importância da pesquisa, mas sinaliza que o público deve consultar a documentação que acompanha os resultados. Conceitos, amostra, período e limitações precisam ser observados antes de transformar um indicador em conclusão sobre todo o mercado de trabalho brasileiro.

Também é importante não atribuir ao levantamento respostas que ele não foi desenhado para oferecer. A pesquisa pode descrever características do trabalho mediado por aplicativos, mas questões regulatórias, direitos trabalhistas e modelos de negócio exigem análise jurídica e econômica própria. O resultado estatístico é uma evidência para o debate, não uma decisão normativa.

Como acompanhar a divulgação do IBGE

A apresentação está marcada para 4 de setembro de 2026, às 10h, nos canais oficiais do IBGE. Depois do lançamento, leitores devem conferir a notícia, as tabelas e as notas metodológicas diretamente no portal do instituto. A editoria de Tecnologia vai atualizar esta cobertura quando os dados forem publicados.

Até lá, a informação confirmada é a existência da agenda de divulgação, não o resultado da pesquisa. O cuidado é importante para que números antigos, projeções ou comentários em redes sociais não sejam apresentados como dados oficiais de 2025.