A cota de alerta do Guaíba, de 2,60 metros na estação Cais Mauá C6, pode ser atingida em Porto Alegre até sexta-feira (31), segundo previsão divulgada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) nesta quarta-feira (29). O cenário mudou depois de novas chuvas nas cabeceiras dos rios que alimentam a bacia, interrompendo a tendência de queda observada anteriormente.
O boletim usa dados de referência das 9h e indica também a possibilidade de o nível chegar à cota de inundação, de 3 metros. O SGB ressalta, porém, que até agora não existe previsão de um evento extremo nas proporções da enchente histórica de maio de 2024. Como a projeção depende da chuva e da propagação da água pelos afluentes, os números serão reavaliados diariamente.
Cota de alerta do Guaíba exige acompanhamento contínuo
A elevação não acontece apenas por causa da chuva registrada na capital. A água acumulada nas partes mais altas das bacias do Taquari, Caí, Jacuí, dos Sinos e Gravataí leva tempo para chegar à Região Metropolitana. Esse deslocamento ajuda a explicar por que o Guaíba pode voltar a subir mesmo quando a precipitação diminui em Porto Alegre.
De acordo com o SGB, a bacia do Taquari recebeu volumes superiores a 100 milímetros em 24 horas, enquanto a bacia do Caí registrou acumulados próximos de 80 milímetros. Nos dois casos, os níveis continuavam em elevação no momento do boletim. As simulações consideram ainda a resposta dos demais rios e podem mudar conforme novos dados observados.
A diferença entre cota de alerta e cota de inundação é importante. A primeira funciona como referência técnica para intensificar o monitoramento e a preparação. A segunda indica um patamar associado ao transbordamento em pontos vulneráveis. Isso não significa que toda a cidade será afetada da mesma maneira, porque o impacto varia conforme a localização, a drenagem e as estruturas de proteção.
O que moradores de áreas ribeirinhas devem fazer
Quem vive nas Ilhas, no bairro Guarujá e em áreas do Extremo Sul deve acompanhar os comunicados da Defesa Civil e evitar usar publicações antigas ou mensagens sem fonte como referência. A Prefeitura de Porto Alegre orienta moradores de regiões suscetíveis a manter documentos, medicamentos e itens essenciais organizados, além de conhecer previamente as rotas para locais seguros.
Em caso de orientação de saída, a recomendação é seguir as equipes oficiais e não atravessar trechos alagados a pé ou de carro. A água pode esconder buracos, correnteza, fios elétricos e contaminação. Famílias com crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais domésticos devem planejar o deslocamento com antecedência, sem esperar que o acesso fique comprometido.
Para emergências, a Defesa Civil municipal pode ser acionada pelo telefone 199. Atualizações também são publicadas nos canais oficiais da Prefeitura e no sistema de alerta hidrológico do SGB. Na editoria de Meio Ambiente, o Folha 24 Horas acompanha os boletins e recomenda confirmar horário e estação de medição antes de compartilhar qualquer marca do nível.
Previsão pode mudar até sexta-feira
O SGB informa que seguirá emitindo boletins diários enquanto os níveis permanecerem elevados. A previsão é produzida em conjunto com o Grupo de Pesquisas em Hidrologia de Grande Escala do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, combinando chuva observada, níveis dos rios e modelos de propagação.
Para o público, o dado mais relevante é que a projeção não deve ser tratada como medição já confirmada. A cota de 2,60 metros é um cenário possível até sexta, sujeito a alterações. A consulta frequente às fontes oficiais permite distinguir uma atualização técnica de um boato e ajuda moradores a tomar decisões proporcionais ao risco real.
Meio Ambiente
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