Monstro: A História de Lizzie Borden chegou ao catálogo brasileiro da Netflix em 17 de setembro de 2026. A quarta temporada da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan transforma em drama o caso de uma mulher de Massachusetts acusada de matar o pai e a madrasta em 1892. A estreia colocou novamente o nome de Lizzie Borden entre os assuntos mais procurados, mas a produção deve ser vista como uma interpretação ficcional de um episódio histórico.
O novo capítulo é protagonizado por Ella Beatty, com Rebecca Hall e Charlie Hunnam no elenco, segundo a apresentação publicada pela Netflix Tudum. A série combina investigação, relações familiares e o ambiente social da época para construir uma narrativa de suspense. A página oficial da produção informa a data de lançamento e apresenta o projeto como parte da antologia dedicada a personagens associados a crimes reais.
Monstro: A História de Lizzie Borden reabre um caso de 1892
O caso que inspirou a temporada ocorreu em 4 de agosto de 1892, em Fall River, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Andrew Borden e Abby Borden, pai e madrasta de Lizzie, foram encontrados mortos na residência da família. Lizzie foi presa em 11 de agosto e levada a julgamento no ano seguinte. A acusação sustentava que ela havia cometido os crimes, mas o júri a absolveu em junho de 1893.
Esse resultado é uma informação central para acompanhar a série com cuidado: Lizzie Borden não foi condenada pelos homicídios. O Crime Museum registra a prisão, o julgamento e a absolvição, além de observar que nenhuma outra pessoa chegou a ser acusada formalmente pelo caso. A permanência de dúvidas e teorias ao longo do tempo ajudou a transformar o episódio em um dos crimes mais conhecidos da história popular dos Estados Unidos.
A existência de uma absolvição não elimina o interesse histórico, mas impede que uma obra de ficção seja tratada como prova sobre a autoria. Recursos de roteiro podem condensar acontecimentos, combinar personagens, criar diálogos e reorganizar a cronologia para produzir ritmo dramático. Por isso, a leitura da temporada deve separar o que aparece na tela do que está documentado por fontes históricas.
O que a série dramatiza e o que está documentado
O material divulgado pela Netflix confirma a inspiração no caso Borden e destaca a personagem de Lizzie como centro da temporada. Já os registros históricos consultados descrevem as mortes, a investigação, o julgamento e a decisão de inocência. Esses dois conjuntos de informações cumprem funções diferentes: o primeiro apresenta uma obra audiovisual; o segundo ajuda a contextualizar fatos ocorridos há mais de um século.
A imprensa especializada também chama atenção para a escolha de Ella Beatty como a primeira protagonista feminina da antologia e para a participação de Sarah Paulson em uma função ligada à narração do caso. Essas informações servem para entender a proposta criativa da temporada, mas não devem ser confundidas com uma reconstrução documental. O próprio formato de divulgação da Netflix apresenta trailer, elenco e sinopse, e não uma investigação histórica independente.
Como assistir com contexto histórico
Para quem pretende acompanhar os episódios, o ponto de partida é consultar a ficha oficial da Netflix e observar avisos de dramatização. Em seguida, vale conferir referências históricas que expliquem o processo judicial e o contexto de Fall River. Essa comparação reduz o risco de repetir como fato cenas criadas para a série ou interpretações que continuam sem comprovação.
A temporada também retoma uma discussão recorrente em produções de true crime: como contar histórias de violência sem transformar pessoas reais em personagens simplificados. No caso Borden, os acontecimentos estão distantes no tempo, mas continuam associados a vítimas identificáveis, a uma família e a uma decisão judicial. Uma abordagem responsável reconhece a gravidade do episódio e deixa claro quando a narrativa passa da documentação para a ficção.
Na editoria de Cultura, o Folha 24 Horas acompanha a chegada de Monstro: A História de Lizzie Borden como lançamento de streaming e também como oportunidade de contextualização. A série está disponível na Netflix desde 17 de setembro, enquanto a interpretação sobre os acontecimentos de 1892 permanece limitada pelo que foi registrado no processo e pelas escolhas dramáticas da produção.
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