O observatório Swift da NASA deve reentrar na atmosfera da Terra nesta quarta-feira (4), quase 22 anos depois de ser lançado. O termo Neil Gehrels Swift Observatory apareceu entre as buscas em alta no Google Trends Brasil, e a procura coincide com a atualização da agência americana sobre os últimos momentos da missão, criada para estudar explosões de raios gama e outros fenômenos extremos do Universo.
Segundo a NASA, a estimativa registrada na segunda-feira apontava para uma reentrada por volta de 3h30 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, com incerteza de 11 horas. Convertido para o horário de Brasília, o centro dessa previsão corresponde aproximadamente a 5h30, mas a margem é ampla e pode alterar tanto o momento quanto o local em que eventuais fragmentos chegariam ao solo.
Observatório Swift entra na reta final da missão
O Swift foi lançado em 20 de novembro de 2004 para observar explosões de raios gama, eventos breves que estão entre as liberações mais intensas de energia conhecidas. A espaçonave leva três telescópios capazes de observar diferentes faixas de luz. Essa combinação permitia localizar rapidamente uma explosão e avisar observatórios em terra e no espaço para que acompanhassem o brilho posterior.
A missão principal havia sido planejada para durar dois anos, mas o observatório continuou funcionando por mais de duas décadas. Conforme a página oficial da missão, os dados do Swift ajudaram a estudar galáxias ativas alimentadas por buracos negros supermassivos, explosões de supernovas, estrelas em atividade e objetos do Sistema Solar.
A operação científica entrou na fase final porque a órbita do satélite perdeu altitude. A página mantida pelo centro Goddard informa que, em outubro, a espaçonave estava a menos de 275 quilômetros da superfície, altura em que o arrasto atmosférico passou a impedir que os telescópios mantivessem seus alvos de maneira estável. A redução gradual da órbita é o motivo da reentrada prevista agora.
O que a NASA prevê para a reentrada
A previsão divulgada pela NASA indica que a maior parte da estrutura deverá queimar ao atravessar a atmosfera. Ainda assim, alguns componentes podem sobreviver. O momento exato é decisivo para estimar onde esses fragmentos poderiam cair, por isso a agência e a Força Espacial dos Estados Unidos continuam acompanhando a descida e podem atualizar a janela.
Como o Swift tem uma órbita de baixa inclinação, a NASA afirma que as áreas potenciais para a queda de fragmentos ficam limitadas a uma faixa entre 20,6 graus de latitude sul e 20,6 graus de latitude norte. Isso não significa que exista uma cidade ou país definido como ponto de impacto: a faixa é uma referência orbital, e a previsão só se torna mais precisa perto da reentrada.
A situação também não deve ser confundida com um pouso controlado. O satélite está perdendo altitude por causa do arrasto e será desintegrado em grande parte pelo aquecimento. O acompanhamento técnico serve para atualizar estimativas e comunicar riscos, não para indicar que a população possa observar ou localizar uma trajetória específica.
Risco estimado para a população é baixo
Na atualização consultada pela reportagem, a NASA calculou em aproximadamente uma chance em 2.100 o risco de uma pessoa ser atingida por algum componente. A probabilidade é baixa, mas não é igual a risco zero. Por isso, informações sobre horário e localização precisam ser tratadas como previsões sujeitas a mudança, e não como uma rota confirmada.
Para acompanhar dados confiáveis, o leitor deve priorizar o blog oficial do Swift e comunicados da NASA. A editoria de Ciência da Folha 24 Horas acompanhará novas atualizações sem transformar uma ilustração ou uma simulação em registro fotográfico do evento.
Depois da reentrada, a missão deixará como legado uma base de observações que ajudou astrônomos a compreender explosões cósmicas e mudanças rápidas no céu. O fim operacional do satélite, portanto, encerra uma etapa de coleta de dados, mas não elimina o valor científico do arquivo construído desde 2004.
Ciência
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